Foto: Paola Alfamor
ATABAQUE CHORA

Atabaque chora, chora também o amor em mim
Atabaque chora, chora também o amor em mim
Atabaque chora, chora também o amor em mim
Atabaque chora, chora também o amor em mim
Vi o meu peito sangrar
Sofro calado sem ter jeito a dar
Ela vai pra não voltar
Para o mar
E sem saber se é amor ou é penar
Vi meus olhos marejar
Atabaque chora, chora também o amor em mim
Atabaque chora, chora também o amor em mim
Atabaque chora, chora também o amor em mim
Atabaque chora, chora também o amor em mim
Vendo a canoa no mar
Canto e toco, o pedindo a Yemanjá
Para um dia ela voltar
Lá do mar
Meu atabaque vendo o meu pranto rolar
Também se pós a chorar


LAMENTOS ÀS ÁGUAS

É niboboiá kabirê, ô yabá
É niboboiá kabirê,Yemanjá
Odé, Oxossi, Ogun, Ashansú
Yemanjá ieru… boaô
Yemanjá ieru, boaô, boaô, boaô
Yemanjá ieru, boaô, boaô, boaô

É niboboiá kabirê, ô yabá
É niboboiá kabirê,Yemanjá
Odé, Oxossi, Ogun, Ashansú
Yemanjá ieru… boaô
Yemanjá ieru, boaô, boaô, boaô
Yemanjá ieru, boaô, boaô, boaô


CANTO DE DOR

Meu canto de dor
Meu deus protetor
Vou grita, gritar
Pois a voz da verdade
Vai falar
Vai falar, falar
Vai falar, falar
Que mundo é esse?
De sofrimento e eterna solidão
Que mundo é esse?
Que nos sentimos sós na multidão
Ai se Deus cobrasse nosso ar
O que seria, o que seria do viver?
Sempre juntos irmãos
Meu grito é de paz e justiça irmãos
É paz e amor irmão
Vamos nos dar as mãos


CHÃO DA VERDADE

A natureza reclamou
Vento que venta não ventou
O sol que brilha não brilhou
Hoje trovejou

Eu me recolhi ao chão do senhor
orgulho, usura e vaidade Deus condenou
Diante do chão da humildade
Ele pregou, pois no chão está a santidade
Ele falou , da grandeza que tem a verdade do amor

A natureza reclamou
Vento que venta não ventou
O sol que brilha não brilhou
Hoje trovejou

O que peço a deus, pai da criação,
Que não ,deixe o povo afastar da verdade ,e do amor
Pois, por falta de sinceridade, tudo mudou…

A natureza reclamou
Vento que venta não ventou
O sol que brilha não brilhou
Hoje trovejou


ROMARIA

Ó, virgem mãe do rosário
Ó, virgem mãe da vitória
Por ti clamei no santuário
Do sonho num mundo de glória
Por ti clamei no santuário
Do sonho num mundo de glória
Linda visão ao dormir foi que vi
Lindos anjos clarins a tocar
Nesta visão o sofrimento não vi
Doce ilusão!
Ao acordar eu ouvi
Os meus deuses a cantar
Os deuses cantam no ar
Os deuses cantam no ar


DEIXA A BAIANA SAMBAR

A baiana entrou no samba
Deixa a baiana sambar!
Deixa a baiana sambar!
Deixa a baiana sambar!

A baiana entrou no samba, olha aí!
Deixa a baiana sambar!
Deixa a baiana sambar!
Deixa a baiana sambar!
A baiana está sambando
E o povo vibrando assim:
Salve a bahia, minha gente!
Salve o senhor do bonfim!
Salve o senhor do bonfim!
Salve o senhor do bonfim!


CANTO DO BOIADEIRO

Boiadeiro vai, já vai pra Aruanda
Boiadeiro vai, já vai pra Aruanda
Adeus, Omolu, protetor de Umbanda
Adeus, Omolu, protetor de Umbanda
Adeus, meus irmãos de fé
Adeus, gente amiga
Cantei, dancei, comi e bebi
Saravá! Chegou a hora da partida
Boiadeiro vai, já vai pra Aruanda
Boiadeiro vai, já vai pra Aruanda
Adeus, Omolu, protetor de Umbanda
Adeus, Omolu, protetor de Umbanda

Adeus, meus irmãos de fé
Adeus, gente amiga
Cantei, dancei, comi e bebi
Saravá! Chegou a hora da partida


ENTERRO DE IYALORIXÁ

Morreu iyalaorixá, mãe-de-santo
Do Axé do Opô, do Opô Afonjá

Será que foi ebó pra iya
‘Inda ontem fez tanto pra xangô
Hoje segue deixando tristeza
Pro seu reino que ficou

Foi doença de branco, Xangô falou!
Diz alguém do axé bem informado
Iyalaorixá não pega ebó
Senhora tem corpo fechado!

Quem terá seu trono de mistério?
Quando jogar edinogun xangô dirá
Chegará outra iyalaorixá
Pra mandar, pra dizer, pra reinar!

Pra mandar, pra dizer, pra reinar!
Pra mandar, pra dizer, pra reinar!
Pra mandar, pra dizer, pra reinar!

Orixás velam seu sono
Segue o ritual nagô
E ao som de atabaques
Iyalorixá descansou
Iyalorixá descansou
Iyalorixá descansou

Morreu senhora
Morreu Maria bibiana do Espírito Santo
Senhora governou durante anos
No mundo mágico e complexo do candomblé
Reunem-se os obas e ogãs
Para conduzirem senhora
À sua última morada
Tem início o ritual nagô
Ouve-se a voz do pai-de-santo
Elevar-se em língua yorubá

O caixão solto nos ombros dos obas segue
Três passos pra frente, três passos pra trás
Três passos pra frente, três passos pra trás
Três passos pra frente, três passos pra trás

Três passos pra frente, três passos pra trás
Três passos pra frente, três passos pra trás
Três passos pra frente, três passos pra trás
Três passos pra frente, três passos pra trás


CHAPEUZINHO VERMELHO

Chapeuzinho vermelho
Entrou na roda agora
Olha essa mocinha
Que namora toda hora
Eu que vim lá do interior
Onde gente simples vive
E ama com muito amor
Onde uma bela flor
Se cheira sem tocar
Onde cantigas de rodas
São cantadas ao luar
Olha aqui
A menina já quer o amor
Chapeuzinho Vermelho na roda entrou
Chapeuzinho


ARRASTA A CADEIRA

Se não come, se não bebe,
Que diacho faz em pé?
Arrasta a cadeira e senta, mulher!
Se não canta, se não dança
Que diacho faz em pé?
Arrasta a cadeira e senta, mulher!
Se não quer comer, não quer beber,
Não quer cantar, não quer dançar,
Não fica em pé, mulher!

Se não come, se não bebe,
Que diacho faz em pé?
Arrasta a cadeira e senta, mulher!
Se não canta, se não dança
Que diacho faz em pé?
Arrasta a cadeira e senta, mulher!

Já me aporrinhei, já me retei,
Podre quebrei pois eu levei
Pro samba essa mulher!
Arrasta a cadeira e senta, mulher!

Se não come, se não bebe,
Que diacho faz em pé?
Arrasta a cadeira e senta, mulher!

Se não canta, se não dança
Que diacho faz em pé?
Arrasta a cadeira e senta, mulher!

Já me aporrinhei, já me retei,
Podre quebrei pois eu levei
Pro samba essa mulher!
Arrasta a cadeira e senta, mulher!

Se não come, se não bebe,
Que diacho faz em pé?
Arrasta a cadeira e senta, mulher!

Se não canta, se não dança
Que diacho faz em pé?
Arrasta a cadeira e senta, mulher!


CORDEIRO DE NANÃ

Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.
Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.
Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.

Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.
Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.
Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.
Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.

Fui chamado de cordeiro, mas não sou cordeiro não.
Preferi ficar calado que falar e levar não.
O meu silêncio é uma singela oração.
Minha santa, de fé.

Meu cantar.
Meu cantar
Vibram as forças que sustenta o meu viver.
Meu viver
Meu cantar.
Meu cantar
É um apelo que eu faço a Nãnaê.

Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.
Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.
Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.
Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.

O que peço no momento é silêncio e atenção.
Quero contar o sofrimento que eu passei sem razão.
O meu lamento se criou na escravidão…
Que forçado passei.

Eu chorei.
Eu chorei
Sofri as duras dores da humilhação.
Humilhação
Mas ganhei, pois eu trazia Nãnaê no coração.

Sou de Nanã, euá, euá, euá, ê.


ACARÁ

Vi o sol nascer, vi o dia correr
Vi o entardecer e também vi tudo escurecer

Vi o sol nascer, vi o dia correr
Vi o entardecer e também vi tudo escurecer
Acará iá biodô, Acará iá biodô
É o malê, é o malê, arenô abiô
Acará iá biodô, Acará iá biodô
É o malê. É o malê, É arenô abiô
Iê ô Odoyá Iê ô Odoyá

Deus da natureza
Sei que és o responsável por tudo que existe
E o homem não é uma exceção
Os tempos mudaram senhor
Tudo está confuso
Já não se entende o tempo

Creio que só vós podeis abrandar o coração dos homens
Por que o mais puro dos homens ainda é pura vaidade
Fala-se em peste, em rumores de guerra
O mundo tornou-se abafado
Dai-nos a resignação do sândalo
Que perfuma o machado que o corta

Acará iá biodô, Acará iá biodô
É o malê. É o malê, É arenô abiô
Acará iá biodô, Acará iá biodô
É o malê. É o malê, É arenô abiô
Iê ô Odoyá Iê ô Odoyá

Foto: Paola Alfamor
Foto: Tenille Bezerra
Foto: Tenille Bezerra
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