Realização: Cada Macaco No Seu Galho Produções Culturais / Garimpo Música / Sanzala Cultural Produzido por: Mateus Aleluia e Maestro Ubiratan Marques Direção Artística: Mateus Aleluia e Soraia Oliveira Direção Musical: Mateus Aleluia Produção Executiva: Soraia Oliveira Direção de Arte e Projeto Gráfico: Pedro Marighella Cenário (Criação e Execução): Pedro Marighella Fotografias: Christian Cravo Produção de Estúdio: Mateus Aleluia e Ubiratan Marques Arranjos de Base: Matesu Aleluia e Ubiratan Marques Arranjos e Regência de Cordas, Madeiras e Metais: Ubiratan Marques

OGUM TÁ

AUTOR: MATEUS ALELUIA
 
Ogum  pa
 Ogum pá ê
Ogum pá ê
Iemanjá
Koroaê!

AMOR CINZA

AUTOR: MATEUS ALELUIA
 
Na linha do horizonte 
Tem um fundo cinza
Pra lá dessa linha 
Eu me lanço e vou
 
Não aceito quando dizem 
Que o fim é cinza
Se eu vejo o cinza 
Como um início em cor
 
Quando tudo finda
Dizem: virou cinza.
Equívoco. pois cinza cura
É poesia, e, eu sou:
 
Um traje cinza 
Lembra fidalguia
Quarta-feira cinza 
É dia de louvor
 
Vamos celebrar
 O amor há de renascer das cinzas
Vamos festejar
 O cinza com amor
 
Gota de orvalho
 Prateada é cinza
Massa encefálica 
E cinza, amor
 
A purificação 
Também se faz com cinza
Fênix renasceu das cinzas com honor
 
Só quero dengo
 Quando o dia é cinza
Leio poesia 
E cantarolo só
 
Dedilho a viola,
 E sonho colorido.
Me vejo no amante 
Que o cinza desnudou
 
Vamos celebrar…

A LENTE DO HOMEM

AUTOR: MANU LAFER
 
Eu vejo o céu de baixo
Até sem telescópio
É que o céu sou eu
Porque o céu é um ser
Eu leio a mão de cima 
Até com microscópio
É que a mão é um ser
 
E se a lente do homem
Vê Deus , onde a lente 
De Deus vê o homem
Saber é a imagem da fé
Que do outro se crê
E se do núcleo da célula 
A íris espelha o destino 
O dilema: ou a morte,
 Ou o bem e o belo e o dom
 
Eu vejo o céu de baixo
Até sem telescópio
É que o céu sou eu
 Porque o céu é um ser
Eu leio a mão de cima
É que a mão é Deus 
Porque a mão é um ser
 
E se ao amor é a fé
Que do prisma do afeto
Onde o ventre é o teto
Que o tato tocou
E porque há sinfonia 
Há também harmonia 
Há também melodia
E o dia e o ia e o a que criou

QUEM GUIOU A CEGA

AUTOR: MATEUS ALELUIA
 
Parece conto avô
Que faz a gente rir- sorrir.
Mas vai virar uma cega
Quem guiou a cega 
 
Fato hilariante 
 Se passou em Salvador
Conto esdrúxulo 
Que causou grande sensação
Fala de negro 
Avantajado e sedutor,
Amado, amante 
Foi seduzido em tentação
 
Lasciva dama 
Ela era só provocação 
Provocou tanto
Que negão virou vulcão
Rendido a frente –(a) vançou por trás 
Sem dizer não
Pego no flagra 
Sizo na mão e com razão- e gritou
Rábula doutor (Cosme de Farias)
Fui eu o violado
Rábula doutor meu Deus
Gostei de ser amado

KOUMBA TAM

(VERSÃO MAATEUS ALELUIA PARA POESIA DE LÉOPOLD SEDAR SENGHOR A PABLO PICASSO)
 
Verde palma vela a febre dos cabelos,
Acobreia a curva fronte 
As pálpebras quebradas, dupla face 
As fontes seladas 
Esse fino crescente, esse lábio mais negro
E quase pesado
 E o sorriso da mulher cúmplice
As patenas das faces, o desenho do queixo
Cantam o mudo acorde
Rosto de máscara serrada ao efêmero.
Sem olhos, sem matéria
Perfeita cabeça de bronze com sua pátina do tempo
Sem vestígios de pinturas, nem de rubor, nem rugas
Nem lágrimas, nem beijos
O rosto tal qual Deus te criou antes mesmo  
da memória  das idades
Lembranças da aurora, do mudo 
Não te abras
Pra receber no colo
Meu olhar que te afaga
Adoro-te, oh Beleza,
Com meu olho monocórdio!
Dorme Koumba Tam
Ela dorme e repousa seu rosto na candura da areia

PALAVRA QUE REZA (PALAVRA DE IMBONDEIRO)

AUTOR: MATEUS ALELUIA
 
Uma palavra
Início de uma reza
Palavra o vento leva
Mas fica sempre a intenção
Um beijo ardente
Beijo que nunca foi dado
Sentimentos fulminados
Como um cercar de folhas
No calor do sol de verão
 
Vovó me disse: 
Não seja descuidado
Criança na calçada 
Traz sempre muita confusão
 
Dance um semba
Ou um samba merengado
Ponha afoxé no xaxado
E na Balabina ponha um semba tropical
 
O imbondeiro
Resiste á incoerência
Por mais que lhe bajulem
Ele nunca se deixará trepar
 
Sapotizeiro
Que nos dá um doce fruto
Se sente altivo e impoluto
Pois a cor da pele 
Do seu fruto é a cor da África
 
Lamento ás aguas/Na Beira do Mar
Mateus aleluia
 
Eh! Gni NBo NBoia
Kaniré  Oyá Ba
Na beira do mar
Chamarei por Iemanjá
Olhai mãe santa 
Meu canto de dor 
Feito em seu louvor 
Iemanjá
 
Iemanjá Eru Boa-ó
Iemanjá Eru
Minha dor 
 
Na beira do mar
Chamarei por Iemanjá
Eh! Gni NBO NBoia
Kaniré Iemanjá
 
Odé , oxossi 
Ogum, ajanshu
Iemanjá Eru Boa-ó
Iemanjá Eru Boa-ó
 
Eh! Gni NBo NBoia
Kaniré Oyá Ba
Na beira do mar
Chamarei por Iemanjá
 
Despreconceituosamente
Mateus Aleluia
 
Uma voz rouca
Um violão tão lento, um amor
Um peito acabrunhado, não
Um peito apaixonado, sim
É um passo manso lento
É um passo lento manso, do amor
É um passo manso lento
É um passo lento manso, do amor
 
Magoado, não
Bem-vindo, sim
Desesperado, não
Querido, sim
Acabrunhado, não
Apaixonado, sim
Por que não?
Despreconceituosamente
Eu vou vivendo a minha vida
Não me importa a cor da pele
Não me importa a cor da ida
Não me importa a cor da volta
É bonita porque estou
Por favor não feche a porta
Me aceite como eu sou
Eu sou filho da poeira
Sinto o pó em minha volta
Se você me fecha a porta
Sei que o amor ampara-me
Abraçando-me
Sublimando-me
Envolvendo-me, amor
Querendo-me bem
 
Adorando-me
Abraçando-me
Sublimando-me
Adorando-me, amor
Querendo-me bem
Uma voz rouca

LAMENTO ÀS ÁGUAS / NA BEIRA DO MAR

AUTOR: MATEUS ALELUIA
 
Eh! Gni NBo NBoia
Kaniré  Oyá Ba
Na beira do mar
Chamarei por Iemanjá
Olhai mãe santa 
Meu canto de dor 
Feito em seu louvor 
Iemanjá
 
Iemanjá Eru Boa-ó
Iemanjá Eru
Minha dor 
 
Na beira do mar
Chamarei por Iemanjá
Eh! Gni NBO NBoia
Kaniré Iemanjá
 
Odé , oxossi 
Ogum, ajanshu
Iemanjá Eru Boa-ó
Iemanjá Eru Boa-ó
 
 Eh! Gni NBo NBoia
Kaniré Oyá Ba
Na beira do mar
Chamarei por Iemanjá

DESPRECONCEITUOSAMENTE

AUTOR: MATEUS ALELUIA
 
Uma voz rouca
Um violão tão lento, um amor
Um peito acabrunhado, não
Um peito apaixonado, sim
É um passo manso lento
É um passo lento manso, do amor
É um passo manso lento
É um passo lento manso, do amor
 
Magoado, não
Bem-vindo, sim
Desesperado, não
Querido, sim
Acabrunhado, não
Apaixonado, sim
Por que não?
Despreconceituosamente
Eu vou vivendo a minha vida
Não me importa a cor da pele
Não me importa a cor da ida
Não me importa a cor da volta
É bonita porque estou
Por favor não feche a porta
Me aceite como eu sou
Eu sou filho da poeira
Sinto o pó em minha volta
Se você me fecha a porta
Sei que o amor ampara-me
Abraçando-me
Sublimando-me
Envolvendo-me, amor
Querendo-me bem
 
Adorando-me
Abraçando-me
Sublimando-me
Adorando-me, amor
Querendo-me bem
Uma voz rouca

CORDEIRO DE NANÃ

AUTOR: MATEUS ALELUIA E DADINHO
 
Salúba Nanã Buruuqê!
Eu fui chamado de cordeiro 
Mas, eu não sou cordeiro não
Preferi ficar calado 
Que falar e levar um não
O meu silêncio 
é uma singela oração
Minha santa 
Meu canto
Vibram as forças 
Que sustenta o meu viver
O meu cantar
É um apelo que eu faço a Nanã
 
Sou de Nanã euá- euá, euá, ê
 
O que peço no momento 
É silêncio e atenção
Quero contar um sofrimento 
Que eu passei sem razão
O meu lamento se criou na escravidão…
Que forçado passei.
 
Eu chorei.
Eu sofri as duras dores da humilhação
Mas, ganhei porque trazia
Nanã no coração
 
Sou Nanã euá euá euá ê

HOMEM! O ANIMAL QUE FALA

AUTOR: MATEUS ALELUIA
 
Depois do grande Big Bang, surgimos!
E até hoje me pergunto
Quem fomos, quem somos, quem seremos?
A classificação é homem!
O animal que fala:
Fala verdade ou mentira- fala!
Ele é homem
Fala de amor ou fala d’ódio -fala!
Ele é homem
Como néscio ou como sábio fala!
Ele é homem
Como plebeu ou como nobre- fala!
(Ele é homem)
Ele fala, ele é homem! Ele fala!
Ele é homem
Pitecantropos- seremos
Sinantropos- seremos
Africantropos -seremos
Homem de Neandertal- quimera
Homem sapiens -deveras
Antropologicamente
Existe a linha fria mongol,
Antropologicamente,
Existe a linha morna da raça branca,
Antropologicamente, 
Existe a linha quente- da raça negra
Vem do Chade- Da raça negra,
Vem o homem
Vem o homem
 
Eras e mais eras
Tantas eras se passaram
Paleolítico, Neolítico
Eras e mais eras se foram
E, depois de tantas idas e vindas no tempo,
Eu nasci em Cachoeira,
E, perguntei a Cachoeira: 
Por que tanta decepção?
Cachoeira me disse:
Pergunte ao homem!
Cachoeira! E tanta desilusão,
 Tanta intolerância
Por quê, Cachoeira? – Coisa do homem:
E porque tanta violência, Cachoeira? 
Isto é do homem 
Também Cachoeira me disse: 
O homem que eu falo é você
Mergulhe bem dentro de si!
 Se encontre e pergunte porquê- ah!
Serei um genoma que não genomou.
Ou a pedra d’ alquimia -que não se lapidou
Pedra filosofal, pedra da vida:
Morre o homem vil- para que o nobre homem
nobre possa surgir;
E, quando ele vier
 Que seja pragmático como é Mandela:
Que traga poesia e independência como
 Léopold Sédar Senghor;
Que tenha um sonho- como sonhou 
Luther King;
Que seja um grande herói como foi Zumbi !
 
Cachoeira
Foi de Luanda que entendi 
Sua realidade
Olhem pra mim!  Sou de Cachoeira
Penso, falo, canto e sou sua liberdade
 
Huumm! Quando chego na Pitanga,
Certeza tenho que em casa eu já cheguei,
À tardinha vou passear no campo da manga
E , Lembro do Caquende, 
em cuja as águas eu me banhei,
Da Faceira – tororó eu vejo a pedra da baleia
E o santuário de Oxum,
 Mãe Aziri Tobossi,
Subindo a levada, vejo o ilê de Gaiaku,
Esse é o Big Bang-Cachoeira
 
Cachoeira
 Foi de Luanda que entendi 
Sua ancestralidade
Olhem pra mim! Sou de Cachoeira
Penso, falo, canto e sou sua liberdade

LIBERDADE

AUTOR: MATEUS ALELUIA
 
Sou eu , sou eu , sou eu , Liberdade
Sou eu , sou eu , sou eu, Realidade
Sou também fraternidade
Por um mudo de igualdade
Semeando pelos campos o amor
 
Serei Pablo Neruda 
Serei Ernesto Che Guevara
Serei um Luther King ou Gandhi
Serei Guarani ou Tupi
Serei Violeta Parra 
Serei o poeta Ho Chi Minh
Serei Nelson Mandela ou Lennon
Serei Abraham Lincoln ou Zumbi 
Sou , sou eu , sou eu Liberdade